Revista Comunicação #255 – Julho / Setembro 2025

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Barnabé Dom Dinis, Isabel e os Pães – Edição 255

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A Palavra de Emmanuel

(O pensamento do mentor espiritual de Chico Xavier a respeito de temas da atualidade: conselhos e ponderações sobre as atribulações de nossos tempos)

Paz e Segurança

Dentre as boas obras a que nos inclinemos, não nos esqueçamos de uma delas, ao alcance de todos: asserenar o ânimo daqueles que nos cercam.
*
Tanto quanto possas, extingue as labaredas da hostilidade e da discórdia no silêncio da prece. E dissolve, na fonte viva da compreensão, o fel do azedume ou o ácido do pessimismo que te alcancem por resíduos de contatos com as ocorrências infelizes.

*
Neste mesmo instante de nosso entendimento, milhares de criaturas jazem à beira do colapso nervoso, aguardando uma frase de otimismo e de esperança da parte de alguém que lhes apoie o esforço de autossuperação e sobrevivência.
*
Aproxima-te dos semelhantes, a fim de auxiliá-los.
Aqui, temos corações quase sufocados de angústia, ante a falta de seres queridos, contando com uma palavra de fé viva que lhes restaure a confiança no futuro.

*
Ali, surpreendemos os quase desanimados, à face das provas que lhes enxameiam a existência, necessitando de um toque verbal de coragem, de modo a que o desalento não se lhes transforme em moléstia destruidora.
Além, surgem os quase suicidas, conturbados por tribulações que se lhes afiguram superiores às próprias forças, na expectativa de uma conversação esclarecedora que lhes suprima o impulso de autodestruição.
Mais adiante, aparecem os quase delinquentes, vítimas de ideias envenenadas por insinuações caluniosas, à espera de algum diálogo amigo, capaz de induzi-los ao reequilíbrio e à serenidade.
Mais adiante ainda, vemos os quase obsessos, entre a insatisfação e a ansiedade, suspirando por algum apontamento reconfortante que os afaste da queda na insanidade.

*
Compadeçamo-nos uns dos outros e pratiquemos a campanha do pensamento e da palavra que auxiliem a vida.
A Terra já possui número suficiente de quantos se fazem geradores de inquietações e fabricantes de lágrimas.
Sustentar a tranquilidade alheia é garantir a nossa própria segurança. Convençamo-nos de que a paz dos outros é o apoio de nossa paz.

Emmanuel

(Do Livro Momentos de Ouro – Edição GEEM)

Barnabé

Barnabé nasceu em Chipre, ilha situada no Mediterrâneo, ao sul da Ásia Menor.
Ao acolher a Boa Nova em seu coração, migrou para Jerusalém, doando tudo o que arrecadou com a venda de seus bens aos apóstolos do Mestre. Em Jerusalém residiam seus parentes próximos: Maria Marcos e o futuro evangelista Marcos.
Contudo, as atividades dos apóstolos e discípulos, apesar de nobres, ainda não condiziam com os seus anseios de divulgação dos ensinos do Mestre. Dedicavam-se eles à caridade, mas não assimilavam ainda a ideia da difusão mundo afora dos ensinos do saudoso Amigo, o que ocorreria após a metade do século, com sua total dedicação.
Visitaram eles os mais distantes locais do universo conhecido, sendo todos brutalmente sacrificados à exceção de João, que pregou intensamente na Anatólia, hoje Ásia Menor, e faleceu de morte natural.
Houve outra exceção: — Filipe, o diácono, que pregou por toda a Palestina; as duas ou três visitas de Pedro e João à Samaria e a pregação de Tiago Maior na Espanha e norte de Portugal, perecendo em 44 de nossa era, após retornar de sua longa viagem, em que a mensagem de Jesus encantava a todos.
Voltemos a Barnabé.
Não conheceu Jesus, mas foi um grande divulgador de Seus ensinos.
No ano 44 já estava em Antioquia, sul da Ásia Menor, cidade de influência grega, em que a propagação da palavra do Mestre ocorria com denodado empenho, o que o cativou, ampliando-lhe o ideal de levá-la aos quatro cantos do mundo.
Acompanhou Saulo na primeira viagem, realizada de 46 a 48 da era cristã pela Ásia Menor.
Partiram de Antioquia, acompanhados de Marcos, sobrinho de Barnabé e autor do Evangelho, que Renan entende ter sido a base para Mateus e Lucas também redigirem os outros dois evangelhos, sendo o quarto de autoria do apóstolo João.
Partiram de Antioquia e se dirigiram a Chipre, onde Saulo converteu o pró-consul romano Paulo Sérgio, e em sua homenagem, mudou seu prenome de Saulo para Paulo.
Em 48 retornaram a Antioquia.
Por esses tempos, os romanos denominaram cristãos os adeptos do Mestre. Estruturava-se um novo pensamento religioso — o Cristianismo.
Vale ressaltar a impetuosidade de Paulo na pregação e na defesa de seus pontos de vista. Como exemplo, citaremos o desentendimento do apóstolo dos gentios com Tiago Menor, no que tange à circuncisão.
Tiago Menor entendia que esse procedimento deveria estender-se apenas aos judeus convertidos, o que contrariava Paulo.
Tiago Menor era um seguidor de Jesus ainda envolvido nas práticas judaicas, mas o tempo lhe mudou a tendência de tal forma que os próprios judeus, décadas depois, revoltados com sua conversão total, o eliminaram brutalmente em Jerusalém.
Pedro foi o pacificador da pendência:

— O Pai, que conhece os corações, deu aos circuncisos e aos incircuncisos a palavra do Espírito Santo.

Paulo venceu, vivenciando até a morte a missão que lhe cabia.
De Chipre, João Marcos voltou a Jerusalém e Barnabé acompanhou Paulo na peregrinação pela Ásia Menor.
Paulo, até sua brutal morte, realizou mais três viagens, fazendo suas pregações em todo o mundo conhecido e Barnabé continuou sua determinada tarefa de propagar os ensinos do nosso Mestre.
Ambos padeceram com a perseguição judaica na primeira viagem, que se estendeu pelo centro-oeste da Ásia Menor.
A agressão brutal que sofreram os impediu temporariamente de divulgar os ensinos de Jesus.
Barnabé faleceu por apedrejamento em torno do ano 70, em Salamina, ilha do mar Egeu, situada ao sul de Atenas.

No Intercâmbio

Agradeçamos, antes de tudo, a bênção do intercâmbio entre nós outros e o ensinamento evangélico, que nos é administrado pela Doutrina Espírita sob nova luz.
Indubitavelmente, trazeis convosco as lides e dificuldades, as indagações e lutas que vos falam de perto a cada um.
Aspirais a colher soluções às provas que nos visitam, e muitos, naturalmente, aguardam uma palavra individual do Mais Além, que lhes acorde o espírito em mais alto nível de entendimento.
Ainda assim, somos nós, os companheiros humildes do limiar, quem vos encontra no pórtico da comunicação entre os dois planos de vida, não apenas saudando-vos a fé e a bondade, mas igualmente para dizer-vos que, por enquanto, somos problemas que se unem na mesma expectativa de mais trabalho, para que venhamos a superar as sombras que ainda nos assaltam os caminhos.

Perseveremos na tarefa de estudar, clareando a estrada que se nos desdobra à frente, e de servir-nos uns aos outros para a aquisição da luz que nos propomos fixar em nós.
Muitos são os amigos espirituais presentes às nossas orações e por nós – através de nossa palavra singela – vos desejam paz e alegria, segurança e êxito na execução dos compromissos que assumimos.
Embora o nosso anseio de responder-vos individualmente, no intercâmbio, somos forçados, muitas vezes, pelas circunstâncias, a restringir-nos à prece em comum – em cujo clima surpreendemos sempre as sugestões do Mais Alto, acendendo novas flamas de fé e amor que nos orientem para diante.

Aguardemos o melhor, trabalhando e amando.
Bezerra de Menezes
(Do Livro Bezerra, Chico e Você
Francisco Cândido Xavier/Bezerra de Menezes)

Dom Dinis, Isabel de Aragão e os Pães

Estamos em Portugal no início do século XIV da era cristã. O rei D. Dinis, que havia substituído seu pai Afonso III ao final do século XIII, já solucionara as pendências do reino com o Vaticano, herdadas de seu pai.
Atuando com equilíbrio e notável discernimento, D. Dinis conduziu a terra portuguesa em paz e serenidade, contando com a participação de sua esposa Isabel de Aragão, a Rainha Santa de Portugal e Algarves.
Há fatos que ocorreram, envolvendo o bondoso rei e sua esposa, cuja santidade já se desenhava com imensa clareza. Recordemos a conhecida história exposta no quadro que adereça lares portugueses e brasileiros. Certa ocasião, D. Dinis retornava ao paço real, quando, surpreso, observou a sua esposa distribuindo pães aos deserdados da fortuna.
Sabemos que a Idade Média foi um período em que estiveram presentes a fome, o frio, as chuvas torrenciais, fatores que tanto infelicitavam a gente humilde, na verdade os párias, que não podiam se beneficiar de alimentos e roupas, para enfrentar a rude condição em que viviam, em contraste com a vida abastada do poder real e dos nobres.
Observando que a rainha distribuía pães, escondidos sob o avental, inquiriu: — O que escondes, minha senhora?
— São rosas, meu senhor! E abre o avental derramando-as ao chão.
Dinis, ocultando um sorriso, conhecendo a grandeza espiritual da esposa, indaga:
— Rosas no inverno, senhora?
E adentrou ao palácio.
Foi tão grande a presença de Isabel junto aos mais pobres, que, embora tardiamente, duzentos anos depois, sua santidade foi reconhecida e respeitada por toda a Península Ibérica.
D. Dinis é considerado por Alexandre Herculano o mais expressivo rei da dinastia Afonsina, superando mesmo o bravo Afonso Henriques, fundador da nação portuguesa.
Teve o ‘rei-poeta’, em seu reinado, momentos difíceis, que certamente aceleraram-lhe o falecimento, ocorrido em 1325. Talvez o que mais o abalou tenham sido os desentendimentos, entre 1319 e 1324, com o filho Afonso IV. Temia Afonso que o rei tornasse sucessor o filho bastardo Afonso Sanches, mais próximo do pai, o que gerou a longa guerra civil.
Os conflitos cessaram nos campos de Alvalade, em Lisboa, pela nobre atuação de Isabel de Aragão. A nossa Rainha Santa, carregando consigo a profunda dor de ver pai e filho se digladiando, quando o combate entre ambos estava prestes a iniciar-se de joelhos ante o filho Afonso suplicou:
— Meu filho, não lutes contra o teu pai!
Afonso, surpreso com as palavras da querida mãe, afastou-se com sua tropa, rumando para a Leiria, situada próxima ao mar.
Pouco tempo depois, em 1325, o grande rei veio a falecer, deixando a esposa querida na solidão de seus dias.
Passou ela a viver no paço que construíra próximo à Quinta das Lágrimas, convivendo com as clarissas do convento de Santa Clara, que ela própria reedificara no início do século, em decorrência das inundações do rio Mondego. Exerceu a caridade, sendo reconhecida por todos como uma santa mulher que visitava as famílias pobres, efetuava curas, materializando os ensinos de Jesus que se tornaram inesquecíveis em toda a Península Ibérica.
Vem-nos à mente a ideia de que Isabel, que viera de Aragão para Portugal, deixou o corpo físico em Estremoz, cidade próxima à fronteira com a então Castela (Espanha), e ascendeu aos Céus. De suas reencarnações futuras não temos conhecimento.
Seu filho, Afonso IV conduziu-a, na canícula do intenso verão, até Coimbra, para o sepultamento na igreja do convento de Santa Clara.
No decorrer do trajeto, suave perfume envolvia o corpo da rainha, sendo sentido por todos os que acompanhavam o cortejo real, o que emocionou a caravana e o povo, que formava longas filas às margens do trajeto percorrido de Estremoz a Coimbra.
Foi a rainha santa o exemplo de amor e caridade que marcou para todo o sempre o povo lusitano.
Dom Dinis encerrou as romagens terrenas em sua última reencarnação, vindo aos 11 anos de idade de Portugal ao Brasil, e voltou à Espiritualidade Maior no início do século passado, após existência de renúncia e dedicação, atenuando a dor e a fome dos que o procuravam no Lavapés, em São Paulo.
Com extremado empenho, Antônio Gonçalves da Silva, o Batuíra, após longo reinado na Idade Média em Portugal, na roupagem de D. Dinis, passou a dedicar-se integralmente à causa de Jesus. Faleceu em São Paulo, na residência próxima à Rua Lavapés, Cambuci, hoje Rua Espírita, assim nominada em homenagem à doutrina que Batuíra abraçou, vivenciando seus princípios e divulgando a obra de Allan Kardec.

Antônio Gonçalves da Silva Batuíra

– 19 de março de 1839 – Portugal
– 22 de janeiro de 1909 – São Paulo, Brasil.

Notícias

1) No dia 29 de agosto, recordamos o aniversário de Bezerra Menezes, o apóstolo de Jesus que voltou à Terra para pregar incessantemente a mensagem do Mestre.
Recordamos que seu funeral foi repleto de pessoas de todas as classes sociais da época, com destaque para os pobres dos morros cariocas, que Bezerra sempre visitava e atendia, pagando-lhes os medicamentos e suprindo a fome dos deserdados da vida.
Morreu pobre e, para ajudar em seu sepultamento, aquela gente simples que ele atendeu, reconhecida, colocava o pouco de que dispunha para completar o necessário, em bolsa adrede colocada próxima ao corpo velado, a fim de que tivesse digno sepultamento.
Obrigado, Dr. Bezerra, por tudo o que fez e pelos ensinamentos que nos deixou, calcados no irrestrito amor aos pobres. Como anjo protetor de todos nós, pedimos-lhe:
– Dr. Bezerra, Médico dos Pobres, acompanhe-nos na caminhada terrena!

Nossas Atividade

I – Departamento Editorial Batuíra
– Vida e obra de Francisco Cândido Xavier
– Edição de livros e da revista Comunicação®
– Centro de Estudos Chico Xavier
– Divulgação Braille Casimiro Cunha

Reuniões Espíritas:
Centro Espírita Maria João de Deus
São Bernardo do Campo
(segunda-feira às 20h reuniões on-line e sábados às 13h.)

Programa No Limiar do Amanhã
Sábados às 19 horas:
Rádio A+Morada – Araraquara – SP (FM 94.9 Mhz)
E pelo site: amaismorada.com.br

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II – Departamento Filantrópico Nosso Lar
Atendimento a famílias e gestantes

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O GEEM divulga o Espiritismo, codificado por Allan Kardec, e dedica-se, desde o lançamento, em 1970, da pioneira obra Mais Luz, à edição de livros do saudoso médium Francisco Cândido Xavier.

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