Revista Comunicação #257 – Janeiro / Março 2026

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Sonho de uma tarde de verão – Edição 257

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A Palavra de Emmanuel

(O pensamento do mentor espiritual de Chico Xavier a respeito de temas da atualidade: conselhos e ponderações sobre as atribulações de nossos tempos)

Ante a Caridade
Provavelmente não nos será difícil exercer a caridade do plano exterior, canalizando o supérfluo em benefício do companheiro necessitado.

A moeda generosa, o agasalho para o corpo e o pão dividido, tanto quanto a visitação direta aos irmãos sofredores, constrangidos à comunhão com a enfermidade e a penúria, constituem expressões de bondade edificante que não nos cabe esquecer em tempo algum.

Entretanto, não olvidemos a difícil caridade do mundo interno.
Saibamos oferecer o pranto invisível da tolerância aos que se deixaram vencer pela irritação ou pela cólera. Distribuamos a água pura da humildade aos que se fizeram vítimas da vaidade e do orgulho.
Temos amigos e parentes na furna do ódio ou da ilusão que devemos buscar, sem alarde, com os nossos melhores testemunhos de carinho.
Possuímos afeições e laços valiosos que desceram a escuros chavascais do desequilíbrio e que não podemos relegar ao abandono.

Há muita gente que padece fome em pleno banquete da vida material e sofre sede à frente de preciosos mananciais terrestres. Aprendamos a ajudá-los com o nosso trabalho e com a nossa fé.

Todos sabem dar. Raros, porém, sabem dar de si mesmos. Não te esqueças do auxílio, em forma de segurança e de estímulo, que podes oferecer aos que te cercam através das demonstrações do dever bem cumprido, da solidariedade, da cooperação e da paciência.

Cultivando pequenos sacrifícios, amealhamos o tesouro do amor.

Jesus é o nosso Divino Modelo.
ó
Depois de dar-se à Terra, na Manjedoura, socorreu a Humanidade na solução de aflitivos problemas, completando a lição da caridade, oferecendo ao mundo, nas tribulações da cruz, o excelso ensinamento do qual, ainda hoje, estamos recebendo a luz imperecível na laboriosa romagem da própria libertação.

Do livro Mais Perto, Francisco Cândido Xavier/Emmanuel, Ed. GEEM

Sonho de uma tarde de verão

O que vou relatar pode ser imaginação, sonho, alguma criação elaborada nos escaninhos de minh’alma.
Faço-o para que você possa sentir, caro leitor, bem lá dentro do coração, a dimensão oceânica de uma alma nobre.
Certa tarde, no mês do Natal, logo após o almoço, estava absorto em meditações interiores, desligado do intenso lufa-lufa diário.
E o foco dessas meditações era o Centenário do Nascimento de Francisco Cândido Xavier, cujas comemorações se iniciarão no primeiro minuto de 2010, que está chegando, e terão seu ápice no dia 2 de abril.
A tarde se desenhava com nuvens escuras, rumando para o pôr do sol, ainda um pouco distante.
Semi-consciente, envolvido na penumbra do sono leve, de súbito vi-me sentado em local muito agradável.
Parecia que me situava nas faldas de uma serra, convivendo com a intensa vegetação e os brotos d’água, vindos do interior da terra fresca.
As nascentes de um rio ali estavam próximas, com seu diminuto volume, mas já se podia ouvir o inconfundível arruído do movimento das águas.
À minha frente, surgiam as claridades do sol poente lá pelas bandas do Atlântico, mais a oeste, e, surpreso, observei no entorno árvores diferentes.
Não era a vegetação típica de nossa Serra do Mar, que apresenta como cartão de visitas o manacá da serra e suas flores multicoloridas, e sim tílias, carvalhos, plátanos e pinheiros, sofrendo em graus variáveis as primeiras manifestações do frio invernal.
O ambiente me fez compreender que estava no continente europeu, em terras que confrontavam o mar a oeste, evidenciando tratar-se da faixa ocidental do Velho Mundo.
Também os pássaros não eram os nossos conhecidos bem-te-vis, sabiás, sanhaços e tico-ticos, nem tinham o seu canto exuberante. Vi tordos, estorninhos, os onipresentes pardais, cujo alarido o inverno não conseguia calar; entretanto, não ouvi o trinado dos rouxinóis, em fuga para o sul, desesperados com o frio.
Estatelado ante aquela natureza tão bela, não conseguia entender o que ocorria. Sentado, meditava, girando algum graveto entre os dedos, observando ariscos esquilos. Envolto em suave, mas marcante luminosidade, eis que desce dos céus e senta-se ao meu lado alguém que identifiquei com surpresa e emoção.
Chico, você está aqui? Não é possível. Os anjos visitam a Terra?
Pensei desconcertado: não morri, pois minha atmosfera espiritual densa e pobre me situaria, no outro lado da vida, em locais mais tristes…
— Sou eu mesmo, Caio, disse abrindo largo sorriso, o seu inconfundível sorriso. Vim revê-lo e pedi aos nossos amigos espirituais que escolhessem um pouso de paz e de reminiscências, a fim de que eu pudesse tranquilizar sua alma atormentada.
Ah! Chico, não sei o que falar. Carrego a mente torturada por remorsos, busco com sofreguidão rever no trabalho os momentos caros de nossa convivência, aprendendo o que você me ensinava com desvelo.
Aprendi, mas não consegui vivenciar tantos ensinamentos. Permaneço na medíocre posição em que me situei na vida, tendo tudo e pouco realizando.
— Não, meu caro, as coisas não correm desse modo na vida. Não correm não. A Divina Misericórdia paira acima de nossas limitações, mostrando-nos sem cessar, seja no verão quente de nossa terra ou aqui nesse inverno agradável, nas noites de céu pontificado de estrelas ou nos dias de tormentas assustadoras, que o caminho é um só: a longa vereda cultivada com amor, embora permeada de obstáculos aparentemente intransponíveis.
Não se desespere, pois as portas da redenção nos estão sempre abertas.
Infelizmente, obtemperei, é complicado aceitar que, mesmo conhecendo as realidades do espírito, erramos tanto… Por quê?
Com paciência, Chico respondeu:
— Você sabe que Paulo de Tarso, cultor da lei religiosa de seu tempo, agiu sem piedade com Estêvão, e o senador Publius Lentulus, com os elevados predicados da inteligência, impôs árduos sofrimentos a Lívia.
Mas, esses grandes Benfeitores de nossas vidas perseveraram no bom combate e legaram-nos, ainda nas difíceis lutas de suas reencarnações ao tempo do Cristo, os exemplos mais exuberantes de amor e renúncia.
Ponderei:
Você é sempre o mesmo, Chico, amoroso e terno. Agradeço-lhe a compreensão ante minhas limitações.
Se possuísse o brilho de Humberto de Campos, tentaria fazer uma entrevista com você neste recanto de tanta paz. Em nossa gíria popular, contudo, dizemos que quem não tem cão caça com gato.
Assim, vou imaginar que, em meu lugar, estivesse agora o nosso saudoso acadêmico, cujos anos de sofrimento tanto marcaram os brasileiros que o conheceram ou leram seus livros, escritos com a pena molhada de tinta e de lágrimas, e fazer-lhe algumas perguntas. Posso?
— É claro, respondeu Chico, acrescentando humildemente:
Que não seja nos moldes do encontro que nosso Humberto de Campos teve, já na Vida Espiritual, com Judas na Jerusalém de tantas recordações, pois não tenho a grandeza d’alma do apóstolo incompreendido…
Vamos lá, então!
Você tem notícia do lançamento do Selo Comemorativo, que os Correios vão editar em sua homenagem. Isso o alegrou?
— Caio, a respeito do selo, deixou-me feliz a homenagem à nossa Doutrina Espírita de consolações e esclarecimentos.
Minha imagem, colada nos envelopes, querido amigo, me trará alegria na medida em que as cartas que percorrerem nosso País e o mundo levarem paz, consolo e esperança. Eu ficarei feliz se alguém se detiver no selo e disser: aquela pobre alma falou muito de Jesus e procurou seguir-lhe os ensinos.
Continuo o mesmo na Vida Espiritual, não mudei nada. Seria mais razoável que se falasse em centenário de nascimento de “Cisco Xavier”…
Olhei para ele com imenso carinho, sabendo que contemplava o missionário do bem, a alma engrandecida na dor e no trabalho diuturno. Inumeráveis vezes, encontrei-o tudo fazendo para secar lágrimas e despertar sorrisos de alegria e esperança. E voltei à entrevista.
Chico, você tem 100 anos!
Vejo-o com a jovialidade que marcou profundamente sua presença entre nós. Você descansa na Vida Maior?
— Carregando pedras… O descanso vem com o trabalho. Parece paradoxal, não é mesmo? Há muita gente sofrendo aqui e por lá, no outro plano de vida. Urge que se multipliquem as mãos em benefício desses espíritos ligados ao corpo e também em favor dos que dele se desprenderam, vivendo em desespero no mundo espiritual.
A Rainha Santa, quando me permite estar a seu lado, ainda que por minutos, sempre observa que a felicidade nossa está assentada na paz espiritual daqueles que amamos e no auxílio aos irmãos de caminhada que padecem dores que mal podemos imaginar.
Por isso, a solução é trabalho, muito trabalho na tarefa que abraçamos, mesmo com injúrias e dificuldades.
— Tudo certo, alma querida, mas estou ainda um pouco distante de tanto trabalho, e, falando de coisas do coração, ouso indagar-lhe algo que, em nossos papos, marcou minha vida.
Lembra-se dos bons tempos, os que não voltam mais, das noites intermináveis em que falávamos sem cessar?
Você, que tanto admira e cultua a música clássica, demonstrava, naqueles momentos, especial simpatia, ao rodar do velho toca-fitas, presença obrigatória nesses encontros, por uma música popular composta pelo maestro toscano Mantovani, intitulada ‘Serenata de Amor’.
Aprendi a gostar dessa música.
Você se recorda dela?
— E como… tão bela!
Por vezes, quando me concedem alguns minutos de lazer, ouço-a com você em seu carro. Seus acordes suaves, algo tristes, me envolvem em recordações dos bons tempos a que você se refere. Esses tempos voltam, voltam sim, Caio. Fique tranquilo.
Por alguns momentos, não conseguimos estancar as lágrimas. As minhas pesadas, com algum desespero, e as dele leves, a lhe ressaltar o rosto espiritualizado. Parecia que Deus as pintava de luz.
Vi-me impossibilitado de continuar a entrevista. Com a voz embargada, tive muita dificuldade em dizer-lhe:
— Não consigo entrevistá-lo mais, Chico. A emoção não o permite. Apenas lhe farei mais uma, a derradeira pergunta: Daqui a alguns dias passa o Natal, chega o Novo Ano e você completa 100 anos…
Qual a mensagem que gostaria de dirigir aos milhões de brasileiros que o adoram e respeitam, sejam espíritas ou estejam envolvidos em crenças diversas da nossa?
— Kardec conclui o capítulo XV de nosso Evangelho, lembrando-nos com muita clareza que o verdadeiro espírita e o cristão autêntico são uma só e a mesma coisa. Agradeço a todos o carinho cristalizado no amor que sempre me dispensaram. É eterno o meu reconhecimento pelas visitas, pelas orações em meu favor, e rogo de coração que me relevem a condição espiritual ainda tão incipiente.
Não mereço tanta atenção. Suplico a Nosso Senhor Jesus Cristo que nos inspire e peço-lhes que juntos não esqueçamos suas palavras: — Amai-vos uns aos outros como eu vos amei.
Lágrimas rolavam de seu rosto angelical, e, após alguns momentos, pena que fugazes, de indescritível paz, Chico falou-me:
— Preciso partir, e você precisa acordar.
Antes de partir, contudo, ainda fizemos uma breve caminhada pelo cativante local. E, daquele seu jeito tão característico de falar das coisas, enquanto percorríamos um trecho da serra, próximo a uma nascente, nosso amigo e benfeitor ponderou:
— Essas águas, que formam o Rio Mondego, vão encorpar e, tortuosas, percorrerão um longo trajeto até o mar.
Nos sítios por onde passarem, sejam comunas maiores ou minúsculos aglomerados da gente nos campos, as águas transformadas em caudaloso rio recolherão recordações que insistem em permanecer arquivadas em suas margens. Especialmente na margem que olha para o sul, vizinha ao Paço da Rainha, em Coimbra, onde Inês de Castro fora decapitada.
Inês, a quem Pedro, o príncipe herdeiro, devotava profunda afeição, teve sua vida ceifada por assessores reais, enquanto o futuro rei se encontrava distante de Coimbra.
E, afoitas, não sopitando o ímpeto de desaguar no mar, deslizarão até o Atlântico, na ânsia de mostrar a toda a humanidade a mais comovente das histórias de amor.
E partiu. Ainda não era noite, e os raios solares mais pálidos do inverno não conseguiam ofuscar o facho de luz que o acompanhou rumo de sua morada, lá no alto do firmamento. Abri os olhos com a impressão muito forte de que estivera por alguns momentos com Chico Xavier.
Sonho? Não sei dizer, mas desses momentos restou aquela saudade que dói. A gente anda de um lado para o outro desassisado, depois a dura realidade retorna, e a vida continua…
Até breve, Chico (Natal de 2009)

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2) Iniciaremos 2026 apresentando ao leitor amigo a crônica que relata um real sonho envolvendo a Serra da Estrela, em Portugal, com a presença de Francisco Cândido Xavier.
3) O Grupo da Fraternidade Espírita Chico Xavier de Senhora da Glória – MG divulga periodicamente no grupo do Telegram audiolivros e áudio-novelas baseados em obras de cunho espírita de autores diversos em capítulos diários.
4) A Federação Espírita Paranaense (FEP) foi a anfitriã, disponibilizando o Recanto Lins de Vasconcellos, em Balsa Nova, na grande Curitiba, para o Encontro Nacional da Comunicação Social Espírita, realizado nos dias 15, 16 e 17 de agosto/25.

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