Apresentação
Nas páginas seguintes, apresenta-mos ao caro leitor algumas lições de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Divino Mestre.
Foram três anos de intensa prédica (de 31 a 33 do século I), em que Nosso Mestre esteve presente, caminhando por toda a velha Palestina. Seus ensinos são reconhecidos por um terço da população mundial, ou seja, por mais de 2 bilhões e seiscentos milhões de habitantes.
Apresentamos ao leitor algumas de Suas lições, instando-o a cultivar-Lhe os sublimes exemplos, assentados no:
– Amai-vos uns aos outros como vos amei!
São Bernardo do Campo, outubro de 2026.
Jesus
A noite chegara.
Jesus, após a Ceia, levou os apósto-los ao Monte das Oliveiras. Deixou-os repousando e buscou o Getsêmani, jar-dim que tanto o cativava, e, no aprazível recanto, poderia orar ao Pai naqueles momentos angustiantes. Levou consigo Pedro, Tiago e João, amigos das horas felizes e dos momentos amargos.
O Getsêmani se situava mais ao norte do Monte, bem próximo à Porta Oriental de Jerusalém, por onde Jesus entrara horas antes, montado no burrico emprestado em Betfagé. Sentia a com-pulsão de orar, envolvido na tristeza que não o deixava.
Dizem os textos evangélicos que pediu ao Pai que o dispensasse de beber o ‘vinho amargo’ daquele cálice, não obstante no âmago da alma sentisse que a hora havia chegado.
Estava escrito…
Orou longamente, enquanto, bem próximos, Pedro, Tiago e João descan-savam. Os outros, afora Judas, haviam adormecido sob as oliveiras.
Recordou as horas que passara junto ao pai na distante Nazaré, sempre ligado ao exaustivo trabalho de carpin-teiro com que provia o sustento fami-liar. José já partira. E sua mãe? Sentiu vontade de abraçá-la, de beijar-lhe o rosto tão belo.
Maria, naqueles momentos, orava pelo filho, já intuindo que a Sua deten-ção aconteceria nas primeiras horas da sombria madrugada. Jesus pressentia que, a qualquer momento, Judas lhe daria o beijo fatal, acompanhado dos sequazes do Sinédrio.
E o beijo não tardou a acontecer. Sofrendo agressões, qual se fora o mais temido inimigo dos irmãos judeus e do poder romano, Jesus foi levado com brutal violência do Getsêmani a Jerusa-lém. Tudo o que depois ocorreu já sabemos… Entre o pretório e a Fortaleza Antônia, com a cruel conivência de Pilatos, suportou os horrores da dor física e moral, recordando-se do que ensinara a quem pudesse ouvir:
— Amai-vos uns aos outros como eu vos amei.
As horas corriam, e os primeiros raios do Sol iluminavam Jerusalém, que Jesus com severidade advertira por duas vezes, sobre o amargo futuro que a velha cidade construíra:
— No Templo, Jesus lamenta pela cidade que O rejeitou e lhe profetiza a desolação:
—”Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não o aceitastes!
— E, uma segunda vez, ao se apro-ximar de Jerusalém, montado em um jumentinho, Jesus chorou ao contem-plar a cidade, advertindo que os ini-migos a destruiriam por completo, não deixando pedra sobre pedra.
(Do Evangelho de Mateus e Lucas)
Realmente, quarenta anos depois, Tito Vespasiano impiedosamente arra-sou a cidade, e seu ímpeto destruidor foi mais além, atingindo a Galileia!
Naquela triste manhã, na capital da Judeia, ouvia-se o alarido dos estor-ninhos, que cantavam nas oliveiras do monte, e lá embaixo, dentro das mura-lhas, a cidade acordara mais triste do que nas outras manhãs. Sem seu voo agitado, esses pássaros respiravam mo-mentos de tristeza.
Não eram mais aquelas ariscas e alegres aves que, ao despertarem nas frias madrugadas, ansiosas, aguardavam os primeiros alimentos da manhã dados pelo Mestre, surgindo diante delas com os longos cabelos, o sorriso encantador e o cândido olhar.
Sentiam os estorninhos a falta das mãos repletas dos frutos saborosos das oliveiras, que outrora caíam das mãos de Jesus…
Naquela soturna manhã, em que a aurora anunciava um novo dia, o Mestre não contemplava os pássaros amigos: em Jerusalém, estava sendo julgado por crimes que jamais praticara. E quais crimes o levaram à cruz?
Vamos relacionar alguns:
— Promoveu a volta à vida terrena a Lázaro, à filha de Jairo e ao filho da mulher de Naim…
— Efetuou curas, devolvendo o sorriso e a vida a criaturas maceradas pela hanseníase…
— Não estimulou a rebelião dos judeus contra a dominação de Roma…
— Rogou ao Pai perdão aos algozes que o torturavam na Cruz…
Entretanto, os frios sacerdotes do Sinédrio entenderam que a sublime paz que Jesus pregava perpetuaria a incômo-da presença romana nas terras da Palestina. Contudo, contrariando o que pensavam os membros do Sinédrio, décadas mais tarde, não foi a atuação de Jesus que levou Jerusalém à destruição, e, sim, a brutal ação bélica de Tito Vespasiano no ano 70, complementada pelo imperador Adriano no início do século seguinte..
Jerusalém foi destruída, e os judeus voltaram à cidade, que consideram sa-grada, apenas vinte séculos depois, em 1947!
Nosso Divino Mestre, em reunião da Comunidade de Espíritos Divinos, no Plano Espiritual, segundo nos ensina Emmanuel, fora escolhido para con-duzir os destinos da Terra, desde os princípios de sua formação há 5 bilhões de anos, sendo crucificado pelo Sinédrio e por Roma, na hora nona do dia três de abril daquela primavera sem flor…
(Do livro Jesus e o Sinédrio, Edição GEEM)
Mensagem para Jesus
Ante o Natal, Jesus, aqui agradecemos
O progresso da Terra, em resplendores,
Desde o mar vasculhado às alturas imensas,
Em que o homem pesquisa os mundos exteriores.
Entretanto, perdoa-me se, em prece,
Tenho os quadros de dor que te apresento:
As crianças sem lar, sob o colo da noite,
E as mães vencidas pelo sofrimento.
Os doentes que vagam na intempérie,
Implorando o agasalho de um lençol,
E os velhinhos no escuro das calçadas,
Que morrem, aguardando uma réstia de Sol.
Os enfermos que choram na esperança
De pequeno socorro que não vem…
E os corações cansados e infelizes,
Que atravessam a vida sem ninguem.
Induze-nos, Senhor, a buscar todos eles,
Os tulelados teus, nossos próprios irmãos,
E, afim de auxiliá-los como estejam,
Ensina-nos, Jesus a unir as nossas mãos!…
Natal!… Feliz Natal!… Todos cantamos,
Ao coro fraternal de todas as igrejas!…
Louvado seja Deus que te enviou à Terra!…
Mestre do coração, bendito sejas!…
Maria Dolores
(Do livro Jesus em Nós, edição GEEM)
Entrada de Jesus pela Porta de Salomão
No sétimo dia de sua permanência em Betânea, cidade situada no Monte das Oliveiras, após despedir-se do ami-go Lázaro, Marta e Maria, Nosso Senhor Jesus Cristo desceu para Jeru-salém, situada 150 metros abaixo, na cadeia montanhosa da Judeia.
Em Betfagé, extasiou-se com um burrico, e, acomodado em seu lombo, adentrou Jerusalém, através do Pórtico de Salomão.
Sobreveio, então, o mais triste epi-sódio que maculou a longa história da Humanidade.
O Divino Mestre foi pregado à ominosa cruz, por decisão do Sinédrio, inspirado por Caifás e Anás. Decisão coonestada por Pôncio Pilatos, contra-riando os princípios das leis romanas que determinavam, nos julgamentos, o direito de defesa.
Persiste em nossas meditações a triste indagação que o tempo não conse-gue apagar:
— Que crime Jesus cometeu?
Em suas pregações inolvidáveis despontava sempre o ‘Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei!’
E também não faltaram as infinitas curas que efetuou, qual a do paralítico no tanque de Betesda, a devolução da saúde a hansenianos, além de ressus-citar os mortos.
Quanto à cura de Betesda, vale lembrar a descrição do apóstolo João em seu evangelho:
“Em Jerusalém, havia, próximo à Porta das Ovelhas, um tanque conhe-cido por Betesda, com cinco alpendres.
Buscava a cura no tanque grande multidão de enfermos: cegos, coxos e paralíticos, esperando o movimento das águas, agitadas por um anjo que descia dos Céus. O primeiro que entrasse no tanque seria curado de sua enfermidade.
E estava ali um paralítico de trinta e oito anos. Jesus, vendo-o deitado, e, ciente de que estava nessa condição havia muito tempo, disse-lhe:
— Queres ficar são?
O enfermo respondeu-lhe:
Senhor, não há homem algum que me coloque na agitada água do tanque, pois, enquanto eu vou ao banho, desce outro antes de mim.
Jesus disse-lhe:
— Levanta-te, toma tua cama e anda. O paralítico ficou são, tomou a sua cama e partiu! (João,5: 2-8)
Como consideramos Jesus
(Francisco Cândido Xavier)
Do que posso pessoalmente com-preender dos ensinamentos dos Espí-ritos Amigos, nós consideramos Jesus Cristo como sendo Espírito de evolução suprema, em confronto com a evolução dos chamados terrícolas, que somos nós outros.
Não o senhor do sistema solar, com todo o respeito que temos à perso-nalidade sublime de Jesus, mas consi-deramo-Lo como supremo orientador da evolução moral do Planeta.
E espíritos como Buda, como Zoroastro, como aqueles outros grandes instrutores da Índia e da Grécia, por exemplo, que eram considerados ori-entadores ou chefes de grandes movi-mentos mitológicos, serão ministros do Cristo, pois não temos ainda outra defi-nição para classificá-los, dentro dos nossos parcos conhecimentos a respeito da nossa História, no lado espiritual da vida.
Vemos que Jesus convidou doze discípulos. Eram discípulos humanos tanto quanto nós, para que não fôssemos instruídos por anjos, pois senão nada entenderíamos da Doutrina do Cristo.
Teríamos de entender a doutrina com os discípulos também humanos, frágeis portadores de deficiências como as nossas, embora respeitemos os ‘doze’ quais personalidades eminentemente elevadas, em confronto com a nossa posição atual na Terra.
Mas, do Plano Espiritual, Ministros do Senhor cooperaram, cooperam e cooperarão sempre, para que a nossa personalidade se consolide cada vez mais no plano físico.
Nós estamos, vamos dizer, no limiar da era do espírito, mas estamos ainda sacudidos por grandes calami-dades psicológicas, como a Terra no seu início, como habitação sólida, esteve movimentada por grandes convulsões.
Psicologicamente, estamos sacudi-dos por esses movimentos que dificul-tam a nossa compreensão.
Mas os Ministros do Senhor estão cooperando para que alcancemos a segurança, com a estabilidade precisa, a fim de que o Planeta seja realmente pro-movido a mundo de paz e felicidade para todos os seus habitantes.
Não sei se expliquei bem.
O Criador, a nosso ver, conforme ensinam Espíritos Amigos que nos visitam, é o Criador.
Não podemos ainda ter outra defini-ção de Deus mais alta do que aquela de Jesus Cristo, quando o chamou de Pai Nosso.
Além disso, a nossa mente vagueia como se estivéssemos em águas dema-siadamente profundas, sem recursos para tatear a terra sólida. Pai Nosso, Deus Criador do Universo!
Então, a força que Deus representa ter-se-ia manifestado em Jesus Cristo, para que ele, como um grande enge-nheiro, de mente quase divina, pudesse realizar prodígios, sob a inspiração de Deus, na plasmagem, na estruturação do mundo maravilhoso que habitamos.
Mas, não consideramos Jesus como criador, conquanto o respeito que lhe devemos. Acho formidável o que o Prof. Herculano Pires disse:
— Jesus seria o demiurgo da Terra; e o demiurgo do sistema solar será, então, um demiurgo da mais alta potên-cia construtora.
A esse respeito, peço licença para dizer que certa feita, indagando de Emmanuel qual a posição de Jesus no sistema solar, ele me respondeu que ficasse, a respeito de Deus, com a expressão do Pai Nosso, dita por Jesus, e não perguntasse muito, porque eu não tinha mente capaz de entrar no domínio desses conhecimentos com a segurança precisa.
Eu insisti, e ele então desdobrou um painel à minha vista, num fenômeno mediúnico.
Apareceu, então, a Terra na Comu-nidade dos Mundos do nosso sistema evolutivo em torno do Sol.
O nosso Sol, depois, em outra face do painel, evoluindo para a constelação que, se não me engano, é chamada de Andrômeda.
Depois, essa constelação, arrastan-do o nosso sistema e outros, evoluía em direção a outra constelação que já não tinha nome na minha cabeça. Essa outra constelação avançava para outra muito maior, dentro da nossa galáxia.
Depois, apareceu a nossa galáxia, imensa, como se uma lente de alta potencialidade estivesse entre os meus olhos e o painel.
E a nossa galáxia evoluía com outras galáxias em torno de uma nebu-losa enorme, que, Emmanuel me disse, passava a evoluir em torno de outras nebulosas.
Então, a minha cabeça ficou can-sada, e eu pedi para voltar, como se tivesse saído de um foguete da Terra e me perdesse pelo espaço a fora e sen-tisse uma vontade louca de voltar a ser gente e ficar outra vez no meu lugar. Porque tudo está dentro da Ordem Divina.
Cada mundo, cada sistema, cada galáxia, orientados por Inteligências Divinas, e Deus para lá disso tudo, sem que possamos fazer-lhe uma definição.
Senti uma vontade enorme de voltar para a minha cama e tomar café quente!
(Do livro Na Era do Espírito/GEEM)
Jesus nosso Divino Mestre
Voltemos ao passado, precisamente há dois mil anos, quando os Céus se abriram para o nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Na incansável caminhada de nosso Divino Mestre pela velha Palestina, entendemos que Sua peregrinação por aquelas terras santas foi acentuada nas cidades da Galileia, à exceção de Nazaré, onde nascera. Ampliaram-se com as reiteradas visitas a Decápolis e às outras regiões da Palestina conquistadas pelo rei Herodes I.
Em Cafarnaum, Jesus convidou Pedro, Tiago, João e André, para o iní-cio dos três anos de pregação da Palavra Divina.
Os outros apóstolos foram asso-ciando-se à Sua romagem, todos eles galileus, à exceção de Judas, natural de Cariotes, minúsculo povoado incrustra-do na Judeia, região destinada por Jacó, séculos antes, aos filhos Judá e Ben-jamin…
Judas Iscariotes encantou-se com o dinheiro fácil que recebera do Sinédrio, para beijar o rosto do Mestre, identifi-cando-O aos 71 sacerdotes, membros do Sinédrio, na tarda madrugada do dia que antecedeu o Seu martírio.
Desses, apenas três foram contrá-rios à brutal decisão de solicitar a Pilatos autorização para crucificar Jesus:
— Gamaliel, Nicodemos e José de Arimateia, que Lhe cedeu o sepulcro, para que o Mestre tivesse digna inu-mação.
Quando o remorso o visitou, as 30 moedas tanto lhe atormentaram a cons-ciência que Judas buscou o suicídio no Aceldama.
Em insólito e memorável encontro, ocorrido às margens do Cedron, na Jerusalém do século passado, confiden-ciou Judas a Humberto de Campos, ambos desenredados da roupagem físi-ca, que cada moeda, das 30 que rece-bera, marcou-lhe a alma até sua reden-ção, após ser abrasado pela fogueira inquisitorial no início do século XV.
De semelhante suplício também padeceu Joana D’Arc, o anjo reencar-nado, que sofreu horrores ao ter seu corpo queimado por odiosas chamas, preço que pagara pela libertação da França do jugo inglês. Foi a heroína que fez cessar a Guerra dos Cem Anos, entre franceses e ingleses.
Enquanto seu martírio perdurava, Joana clamava em alta voz, para os carrascos ouvirem:
— O arcanjo Miguel, Santa Catarina e Santa Margarida estão ao meu lado. Esses sublimados espíritos a acompa-nharam desde os seus 13 anos!
A respeito, Érico Veríssimo, em seu primoroso livro sobre Joana D’Arc, genialmente observa que de seus restos jogados no Sena, o histórico rio da França, destacava-se o coração daquela jovem que flutuava nas águas, refletindo as estrelas do Céu.
As comunas de toda a Palestina, situadas nas regiões conquistadas por Herodes I, foram exaustivamente visita-das pelo Mestre:
— Galileia, Samaria, Judeia, Pereia, Traconides e Decápolis, com as dez cidades habitadas por gentios e gregos, mesclados aos judeus.
Imperioso é acentuar que nos ins-tantes finais da Crucificação, com o Mestre imobilizado na Cruz, os após-tolos se afastaram, homiziando-se bem distante do Gólgota, à exceção de João, ao lado de Maria, e de Tomé, que teme-roso se ocultava na multidão.
Em seus momentos finais de vida terrena, Jesus mal respirava, tendo as mãos e os pés presos na Cruz.
As dedicadas mulheres, que o seguiram, em suas peregrinações, ali estavam presentes. Entre elas, Maria Madalena, a mais dedicada de toda a comunidade dos apóstolos e discípulos que acompa-nharam o Mestre.
Ela foi visitar-Lhe a sepultura no terceiro dia após a Crucificação, que ocorrera, segundo Renan, na sombria tarde de 3 de abril do ano 33.
Madalena, com o corpo castigado pela hanseníase, veio a perecer às portas da casa de Maria e João em Éfeso, na Ásia Menor.
Nosso sincero respeito a essas dignas senhoras, com especial reverên-cia a Maria, mãe de Jesus, e a Maria Madalena.
A filha de Magdala, outrora tão bela e cativante, ao final de sua vida trazia o corpo cheio de máculas, devido à longa convivência com os leprosos, que socor-ria nos caminhos sáfaros da Palestina, conduzindo-os ao Vale dos Leprosos em Jerusalém, onde permaneciam distantes do meio social, que os via com desprezo e repugnância.
Evidenciamos entre essas heroínas, sempre ao lado de Jesus, Maria Marcos, Salomé, mãe de Tiago e João, as irmãs de Lázaro, Marta e Maria, e também Joana de Cusa, martirizada junto de seu desesperado filho, ambos crucificados na Roma Antiga.
Há dois mil anos, quando a Divina Presença do Mestre se materializou para a Humanidade, passamos a vivenciar uma nova fase na Terra. Foram inomi-náveis as curas a mancheias efetuadas com Sua simples presença junto aos enfermos: — cegos, paralíticos e hanse-nianos. Os evangelhos catalogam ensi-namentos e curas, qual a parábola do Bom Samaritano, que resumimos:
— Um homem descia de Jerusalém para Jericó – a milenar cidade, próxima ao Mar Morto e distante 30 quilômetros de Jerusalém.
Era uma viagem cansativa, pois a capital dos judeus situava-se a 800 metros de altura, o que tornava difícil a descida pelos íngremes caminhos da Cordilheira da Judeia. O viajante su-cumbiu em poder de assaltantes que agrediram-no, roubaram-lhe os bens, deixando-o à beira da estrada. Um sacerdote e um levita, que por ali transi-taram, viram-no caído e nada fizeram.
Mas, por ali passando, um samari-tano cuidou de suas feridas, levou-o a uma hospedaria e antecipou o paga-mento das despesas decorrentes da permanência do infeliz enfermo.
A despeito da recíproca intolerân-cia entre judeus e samaritanos, Jesus, quando se lhe apresentava ocasião, bus-cava aproximá-los com inolvidáveis lições, qual a do poço de Jacob em Sicar, que descrevemos a seguir.
Ao tempo de Nosso Senhor Jesus Cristo, nos primeiros anos do século I, judeus e samaritanos se odiavam por razões históricas.
Essa desavença foi o cenário do diá-logo entre o Mestre e a mulher sama-ritana no poço de Jacó, na Samaria.
Jesus, dirigindo-se de Jerusalém à Galileia, pediu água à mulher que en-contrara no Poço de Jacó; ela O ques-tionou, respondendo que um judeu não deveria pedir água a uma samaritana.
Observemos que a eterna divergên-cia entre judeus e samaritanos ocorreu, sobretudo, após as invasões à Palestina, efetuadas por assírios e por Nabucodo-nosor, que levaram prisioneiros milha-res de judeus, em sua maioria samari-tanos, às terras da Mesopotâmia.
À samaritana, Jesus pediu água do poço de Jacob e ofereceu-lhe, em troca, a água viva, que dessedenta para a Vida Eterna. Fez-lhe ainda revelações con-tundentes, que a levaram a convocar os coetâneos para conhecer nosso Divino Mestre. Jesus permaneceu em Sicar e arredores por mais dois dias, conver-tendo toda a multidão com Seus Subli-mes Ensinos.
Os samaritanos comoveram-se com as novas realidades, essencialmente diversas do seu culto tradicional, inspi-rado no Pentateuco de Moisés.
Há outro sublime ensinamento do do Mestre, descrito por Mateus, que nos encanta e ao mesmo tempo nos leva a profundas meditações.
Citamo-la a seguir:
—“Por isso vos digo: Não andeis ansiosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento e o corpo mais do que o vestuário? Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros, e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas? E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua estatura?
E, quanto ao vestuário, por que andais ansiosos? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não traba-lham nem fiam, e Eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles.
Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pequena fé?
Não andeis inquietos, dizendo: Que comeremos ou que beberemos, ou com que nos vestiremos? Decerto vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas, mas, buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.
Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuida-rá de si mesmo. “Basta a cada dia o seu mal.”
Como concluir essa longa exposi-ção?
Agradecendo a Nosso Senhor Jesus Cristo pelas dádivas de amor e luz, que nos concedeu em sua passagem pela Terra, e buscando recordar-Lhe os ensi-namentos e os infinitos milagres, dos quais destacamos a restituição da saúde a uma infinidade de hansenianos e a ressuscitação de Lázaro, do filho da mulher de Naim e da filha de Jairo.
Concede-nos, Divino Mestre, a Tua Paz! Sê conosco agora e sempre.
Caio Ramacciotti/GEEM
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